Volpi, de lá para cá...
O
bonde puxado a burro foi o primeiro transporte coletivo oferecido à população
da cidade de São Paulo.
Era o ano de 1889 e foi preciso aterrar uma parte da Rua da Independência
para que a linha pudesse unir os bairros do Cambuci e do Ipiranga. Nessa época,
Volpi era ainda criança e corria pelas ruas do bairro do Cambuci, quando
os bondes puxados a burro foram substituídos pelos bondes elétricos,
que começaram a ser implantados no ano de 1900, transformando São
Paulo na quarta cidade do Brasil a ter esse tipo de meio de transporte, depois
do Rio de Janeiro, Salvador e Manaus.
E o bonde elétrico chegou
Em 1904 havia duas linhas de bonde elétrico no bairro do Ipiranga: a
Ipiranga e a Fábrica.
Era uma época de mudanças e desenvolvimento industrial. A cidade
de São Paulo crescia, novas levas de imigrantes chegavam, fazendo com
que o número de habitantes crescesse vertiginosamente.
| VOCÊ
SABIA
que na casa de Volpi
- como nas casas de tantas outras famílias de imigrantes italianos
- a habilidade manual era valorizada? Ele pintava, um de seus irmãos
era entalhador, a irmã costurava. |
Tudo começou assim
No início do século XX os bondes elétricos dividiam as
ruas com carroças puxadas a cavalo. Nessa época Alfredo Volpi,
que morava na rua Muniz de Souza, acabara de se mudar para a Rua do Lavapés.
Lá existia uma cocheira onde ficavam os animais que ainda puxavam os
bondes antigos. Certo dia, ainda bem pequeno, ao caminhar pela rua, Volpi sofreu
um pequeno acidente que nunca mais esqueceu: ele foi atropelado por um cavalo
atrelado a uma carroça. O machucado lhe valeu uma cicatriz no lábio.
Quando adulto gostava de contar aos amigos: "Eu não tinha nem seis
anos e fui atropelado por um cavalo. Acho que ainda tenho até um sinal
aqui", ele falava apontando o lábio superior.
Passeios
de Volpi
Uma das diversões preferidas de Volpi era tomar o bonde no Largo do Cambuci
para ir até o centro da cidade e o bairro do Brás.
Já adolescente, outro passeio que Volpi costumava fazer era descer a
serra do Mar até a cidade de Santos, pedalando sua bicicleta em grande
velocidade, para em seguida retornar de trem, trazendo a bicicleta a tiracolo.
O bonde como obra de arte
A Light foi a empresa que operou o sistema de bondes na cidade de São
Paulo. Ao longo de 48 anos novas linhas eram criadas e novos bondes entravam
em circulação. Dizem que a tinta fresca dos assentos sujava a
roupa dos paulistanos, que reclamavam por isso!
No ano de 1939, São Paulo tinha 567 bondes. Alfredo Volpi, acostumado a registrar
cenas e paisagens da cidade de Sâo Paulo, não deixou de reproduzir o bonde elétrico
em meio às casas antigas. Em uma de suas obras, podemos ver o bonde aberto,
de cor vermelha, conduzido pelo motorneiro, com passageiros tranqüilamente sentados.
A cidade está vazia, sem movimento, privilegiando a imagem do bonde que centraliza
a atenção do espectador.
O
fim da linha
Depois da Light, foi criada a CMTC - Companhia Metropolitana de Transportes
Coletivos - empresa que ficou responsável pelo transporte na cidade de
São Paulo. Com o passar dos anos a cidade cresceu desordenadamente e
a frota de bondes deteriorou-se. Foi incentivada a aquisição de
ônibus e tróleibus, para servir a população.
Na década de 60 foi desativada a primeira linha de bonde, que servia
o bairro Jardim Paulista e seguia pela Rua Augusta. No dia 27 de março
de 1968 a última linha, que servia o bairro de Santo Amaro, deixou de
funcionar, fazendo sua última viagem de despedida com homenagens e discursos.
Mais de 5000 pessoas compareceram à cerimônia de despedida desse
meio de transporte que por várias décadas carregou, com charme
e elegância, milhares de paulistanos.
| VOCÊ
SABIA
que no ano de 1985, a CMTC criou o Museu dos Transportes Públicos
Gaetano Ferolla? Fica localizado em São Paulo, na Avenida Cruzeiro do Sul, próximo da
Estação Armênia do metrô e, no local, há vários
bondes antigos inclusive o primeiro bonde aberto, fabricado em 1899, que circulou
na cidade de São Paulo. |
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