Alfredo
Volpi, Lucca, Itália, 14/04/1896 - São Paulo, SP, 28/05/1988.
O
trabalho de Alfredo Volpi é a expressão de sua vida. Uma obra
significativa à medida que foi diferenciada.
Ao longo de quase um século de existência, Volpi passou por várias
fases, recebeu influências de diversos artistas, como Cézanne, Giotto, Ucello, Ernesto de Fiori, encontrando seu próprio
caminho, sua linguagem.
Ora singelas e emotivas, ora vigorosas e dinâmicas, as pinceladas de Volpi
revelam a tranqüilidade e a perfeição do artesão.
Filho de imigrantes italianos, desde pequeno mostrou interesse em misturar tintas
e criar novas cores. Esse talento o levou a trabalhar como pintor de faixas
decorativas nas paredes das grandes mansões da aristocracia de São
Paulo. Passado algum tempo, resolveu pintar quadros e sua fonte de inspiração
era a paisagem, ainda rural, paulistana. Aos dezoito anos de idade, ele pintou
sua primeira obra de arte sobre a tampa de uma caixa de charutos, usando tinta
a óleo.
Aos poucos, foi produzindo novas obras, experimentando e descobrindo as muitas
possibilidades que as tintas ofereciam. Pintava ao ar livre, junto à
natureza.
Sem a preocupação de se engajar em movimentos artísticos,
ele queria apenas pintar quadros com uma simplicidade que acabou chamando a
atenção de outros artistas.
Autodidata e independente, podia até incomodar o meio artístico,
mas ainda hoje críticos e estudiosos de arte buscam associar, por uma
questão didática, sua obra a movimentos artísticos como: impressionismo, expressionismo, abstracionismo, concretismo.
Apesar de sua evolução artística
denotar esse percurso, o próprio Volpi não estava preocupado com
essa classificação.
No entanto, suas produções artísticas não poderiam
ter sido mais significativas: evoluindo do abstracionismo até o figurativismo,
Volpi descobriu as formas e as cores e dominou-as.
Desde suas paisagens e retratos, alguns expostos no Salão de Belas Artes
do Palácio das Indústrias, em São Paulo, passando pelas
paisagens de Itanhaém, pela participação
no Grupo Santa Helena, e finalmente seus
casarios e fachadas até o prêmio na II
Bienal de São Paulo, Volpi foi se transformando em cada etapa. Sua
maturidade artística levou-o a produzir cada vez mais e a se expressar
em composições abstratas e bem equilibradas. Descobriu temas populares
que foram capturados em suas novas composições. Através
de suas pinceladas, luas, sereias, barcos, janelas, brinquedos, bandeiras, mastros
e faixas ganharam novos significados... não eram mais apenas formas desenhadas
em planos horizontais, mas signos abstraídos de suas observações,
de seu olhar de artista, e transformados em surpresas formais.
Volpi evoluiu descobrindo novos espaços e registrando-os. Como exemplo,
ao se deparar com bandeiras, em uma festa na cidade de Moji
das Cruzes, manipulou-as, raptando-as de seu contexto, e recriando-as com
a ajuda de sua paleta.
Volpi brincava com as formas, as linhas e as cores, e para isso descobriu --
e usou como mestre -- a têmpera a ovo. O tempo foi passando e Volpi talvez
nem percebesse... sua evolução era tão natural quanto significativa.
Passou pelo concretismo, a optical-art e finalmente abstraiu os significados
de cada forma tratando-as informal, porém consistentemente, qualidade
que fez dele um mestre das artes.
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