Gilberto Gil
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Mestres da Música no Brasil - Gilberto Gil
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As ONGs e a Ecologia
No último quartel do séc. XX, por conta de uma revolução de costumes conhecida como "Contracultura", muitos valores vigentes na civilização ocidental foram, pela primeira vez, abertos e amplamente questionados.

Mesmo que este movimento não tenha alcançado seus objetivos, constatamos que algumas de suas atitudes inspiradoras ainda sobrevivem no presente.

Como reflexo desta época de conflito de idéias, às vezes bastante contraditórias, e busca de alternativas, algumas bastante ingênuas, ao sistema capitalista-competitivo-desumano, ainda estão em voga atualmente preocupações com o resgate da cidadania, o pacifismo e a ecologia.

A preocupação ecológica talvez seja, entre todas as outras aspirações legítimas por uma sociedade melhor, aquela que obteve uma maior adesão por parte dos detentores do poder político e econômico, o que talvez se justifique pelos efeitos já sentidos no meio ambiente, como a escassez de recursos naturais e a perda de qualidade de vida nos grandes centros urbanos - sem falarmos no famigerado "efeito estufa".

Um outro diferencial importante pode ser estabelecido entre os dias de hoje e os nostálgicos anos 60-70: a organização dos movimentos sociais, antes realizada de forma espontânea e romântica, passou a obedecer a princípios legais e institucionais na forma de ONGs (Organizações Não-Governamentais).

Mas o que é que caracteriza uma ONG, e qual a relação destas com o movimento ecológico? Uma Organização Não-Governamental é por definição uma entidade jurídica, portanto, registrada oficialmente perante o estado e mantida por indivíduos que se dispõe a trabalhar por uma causa considerada de grande importância para a humanidade.

As questões ambientais e sociais são os motivos mais comuns para a fundação de uma ONG. A independência em relação ao governo/estado não significa necessariamente uma ruptura com as políticas públicas, mas tão somente o reconhecimento da insuficiência destas em relação à causa defendida e à necessidade de uma autonomia que inexiste nas repartições governamentais.

Não obstante, além dos princípios usualmente observados pelas ONGs, tais como enfoque humanista, voluntariado e visão sistêmica (pense globalmente, aja localmente), eventualmente ocorrem conflitos entre elas e os setores oficiais. A atuação do Greenpeace é um exemplo emblemático desses choques.

Além da disposição para o combate (que não precisa ser entendido assim, tão literalmente), os integrantes de uma ONG devem ter um foco claro da área em que pretendem atuar, sem a pretensão de resolver, a um só tempo, todos os problemas do mundo. O processo de regularização de uma ONG é trabalhoso e o ideal é que ela consiga o chamado "certificado de utilidade pública", documento que serve como um atestado de idoneidade, além de aumentar a possibilidade de que ela consiga subsídios do estado ou parcerias importantes, afinal, embora não almejem lucro, dentro do sistema capitalista, até as ONGs precisam manter-se.

Resumindo, talvez o mais importante progresso atingido pela sociedade civil nas últimas décadas tenha sido a conscientização dos indivíduos a respeito de seus direitos e das formas de reivindicá-los. Neste momento da história, a constituição de ONGs, cujo sustentáculo vem a ser a união de várias pessoas em torno do mesmo idea
l, parece ser uma das maneiras mais eficientes e eficazes de alcançar tais objetivos.


Órgãos portáteis: o Acordeão
Apesar de exibir-se usualmente cantando e empunhando um violão, o cantor e compositor Gilberto Gil iniciou sua formação musical por meio de um instrumento que a música pop atual parece ora relegar ao esquecimento, ora resgatar inesperadamente. Estamos falando do acordeão.

Ás vezes confundido com instrumentos semelhantes, tais como a sanfona (harmônica) e o bandoneon, este "órgão portátil" tem uma história longa que começa, provavelmente, na China Imperial. Esta primeira encarnação do instrumento era chamada cheng, ou tcheng, e há uma certa escassez de informações sobre o seu aspecto e suas técnicas de construção e execução musical.

Provavelmente, um tcheng levado para a Europa (através da Rússia) incentivou o desenvolvimento de versões aperfeiçoadas do instrumento, que logo originariam patentes:

· handeoline -> Alemanha, 1821
· concertina -> Inglaterra, 1829
· accordeon -> Áustria, 1829
· harmoniflute -> França, 1855
· fisarmonica -> Itália, 1864

Da pequena lista acima, destaca-se o accordeon, austríaco, que inclusive serviu como base para que os italianos desenvolvessem o acordeão moderno, a partir da fisarmonica. Por sua vez, a concertina britânica pode ser considerada ancestral direta da sanfona e do bandoneon. O que distingue um instrumento do outro é basicamente a adoção do teclado cromático, igual ao do piano, pelo acordeão, enquanto na sanfona optou-se por manter o sistema original de botões.

Além dos exemplos mencionados, encontram-se ainda denominações como organeto, semitonata, diatônica e cromática, referindo-se a artefatos que, mesmo caindo em desuso, inovaram com diversas soluções incorporadas aos acordeões modernos.

O princípio de funcionamento do acordeão é muito parecido como da antiqüíssima gaita de foles (bagpipe), instrumento nacional da Escócia, mas que aparece praticamente em todas as regiões do Velho Mundo. Seu sistema de produção de som é baseado num saco de ar comprimido manualmente (no caso, "braçalmente", uma vez que ele é mantido sob um dos braços) de forma que o ar seja expelido com força por meio de diversos tubos produtores de som.

A inovação trazida por mecanismos do tipo do acordeão é a presença de lâminas (lingüetas), em tudo semelhantes às da gaita de boca que, pela riqueza de sons harmônicos que produzem, ampliam a gama de timbres de que o instrumento dispõe. Note-se também a evolução do saco de ar, que se transformou num fole de acionamento horizontal de grande resistência.

Apesar de amplamente disseminado pela Europa no séc. XIX, o acordeão só viria a se tornar um instrumento comum no Brasil no séc. XX, com a intensificação do movimento migratório da colônia italiana. Por conta dessa influência, chegou a ser fundada uma fábrica de acordeões no país, que (não obstante tenha vendido milhares de instrumentos) hoje só fabrica móveis.

Resultado de um empobrecimento cultural, ou reflexo das irrevogáveis "leis de mercado", o fato é que o declínio do acordeão no Brasil - que não atingiu de todo a esfera da música regional nordestina, gaúcha e sertaneja - não será um fato irreversível se for realizado um trabalho de apresentação deste instrumento às novas gerações.

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