Chiquinha Gonzaga
Chiquinha Gonzaga
Mestres da Música no Brasil - Chiquinha Gonzaga
Aqui você vai encontrar conteúdo e atividades para trabalhar em sala de aula utilizando os livros das Coleções Mestres das Artes, Mestres das Artes no Brasil e Mestres da Música no Brasil.
Chiquinha Gonzaga

 

Chiquinha: uma compositora no teatro
Caso o leitor estranhe a presença do teatro em uma seção denominada "Comunicações e Transportes", nunca é demais lembrar que, num mundo sem rádio, cinema, tevê, Internet, ou qualquer veículo global da "cultura de massas", os espetáculos exibidos para o grande público - circo, ópera e o teatro - eram como responsáveis pela disseminação de idéias estéticas e até políticas junto à comunidade.

Desde a antiguidade clássica, ficou evidenciado o duplo papel do teatro: como meio de lazer/difusão cultural e como instrumento crítico (sátira) do poder estabelecido.
Ainda que excluído do rol das Belas Artes após a queda de Roma, ele regressaria triunfalmente no seio da própria Igreja Católica que o banira, na forma dos autos e mistérios.

Justamente em sua forma religiosa, ele foi introduzido no Brasil pelos jesuítas, tendo destaque no processo a figura do Padre José de Anchieta.

Apesar do início precoce, costuma-se aceitar que o surgimento de um teatro brasileiro, de características próprias e definidas, só aconteceria mesmo no século XIX, a reboque dos movimentos literários.

Esta fase - o apogeu do movimento Romântico - na qual se arriscaram em textos teatrais até mesmo romancistas como José de Alencar e Machado de Assis - legou-nos uma dramaturgia de grandes pretensões literárias, mas muito difícil de ser encenada. Gonçalves Dias e Joaquim Manoel de Macedo tiveram melhor sorte, embora não o suficiente para manterem suas peças em repertório no século XX.

Méritos literários à parte, os nomes que ficaram para a posteridade como criadores do teatro brasileiro (notadamente da comédia) foram os de Martins Pena (1815-1848) e França Júnior (1838-1890), entre outros. Não obstante, há alguns autores que consideram o teatro praticado no Brasil em todo o século XIX, apesar de escrito em português e ambientado no país, como uma imitação da maneira de se fazer teatro da Europa - especialmente da França.

Querelas à parte, muitos dos elementos franceses do nosso teatro ganharam cores locais bem características, transformando o vaudeville (com influências das operetas de Jacques Offenbach, tal qual ocorreu no musical americano) naquilo que ficou conhecido por aqui como "Teatro de Revista".

Reunindo elementos de teatro (texto e encenação), dança (coreografia, mímica), música (orquestração, canto lírico e popular) e artes plásticas (cenografia e figurino) a "Revista" - como era chamada - era um tipo de espetáculo que cumpria muito bem a dupla função a que nos referimos:

- como entretenimento, criando modas e difundindo novos hábitos - alguns, por seu conteúdo "imoral", vigorosamente rechaçados pelas "pessoas de bem" da sociedade;

- como crônica social e crítica de costumes, fustigando fatos e pessoas reais, através dos enredos ou personagens fictícios, estes claramente inspirados naqueles;

A sociedade tradicional e moralista que quisera excluir Chiquinha Gonzaga do convívio das "pessoas de bem", presenciaria em breve, como seu talento serviria ao humor crítico e irrevente do igualmente perseguido teatro brasileiro.

VOCÊ SABIA… que o compositor francês Darius Milhaud, quando de sua passagem pelo Rio de Janeiro em 1917, tendo ouvido a opereta "Forrobodó", incluiu o tema principal em uma de suas criações mais famosas: a peça sinfônica Le bouef sur le toit (O Boi sobre o telhado).
Chiquinha Gonzaga
contato - 0800 17 2002 - Todos direitos reservados.